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Canção do Exílio (modo minimalista).

poesia-lá-e-cá

Um poema minimalista, traduzido pela concepção da conjuntura da estética e alma do poema de Gonçalves Dias com influências de José Paulo Paes (Canção do Exílio Facilitada) e as possibilidades de Augusto de Campos, a compreensão tem sentido quando referenciada com o poema matriz. Os advérbios traduzem seus significados pela forma.

“Lá”, naquele lugar, naquele país, para aquele lugar, ao longe ou para longe, naquele tempo, naquela perspectiva, distante, separado.

“Cá”, nesse lugar, nesse país, para esse lugar, bem perto ou aqui, próximo.

A “Canção do Exílio” de Gonçalves Dias, escrita bem de longe, cá em Portugal, em julho de 1843, num continente europeu, afastado pelo oceano atlântico. Única pelo romantismo nacionalista, em vigor pelo recente rompimento do Brasil-Colônia, expõe as preciosidades das terras lá do Brasil. É um poema parafraseado por outros escritores como, Oswald de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, Casimiro de Abreu, Mário Quintana, Tom Jobim, Chico Buarque, Eduardo Alves da Costa, Jô Soares, José Paulo Paes.

Gonçalves Dias refere-se ao Brasil usando o advérbio de lugar “lá”, para matar a saudade de sua terra onde encontra os seus prazeres e usa o “cá” para explicitar a falta, o desprazer, o exílio em Portugal.

Canção do Exílio (Gonçalves Dias)

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

José Paulo Paes, poeta moderno, escreve em 1973 a “Canção do Exílio Facilitada” trata-se de um poema ultra sintético, estruturada na estética de dizer o máximo com o mínimo de palavras, cuja compreensão tem sentido quando referenciada com o poema matriz de Gonçalves Dias. Os advérbios e interjeições dão expressão e significado ao poema: “lá? Ah!” (satisfação), “cá? Bah!” (descontentamento).

Canção do Exílio Facilitada (José Paulo Paes)

lá?

ah!

sabiá…

papá…

maná…

sofá…

sinhá…

cá?

bah!

 

 

 

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Lucas Lavecchia

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